quinta-feira, 20 de maio de 2010

Medo? Ele existe.


"Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos." (Clarice Lispector)

Um sentimento tão angustiante em alguns casos, tão desesperador em outros. Hoje passei por uma situação assim, mas sem motivo. Sem um motivo concreto, claro. Na verdade acho que eu penso demais e acabo me prejudicando e caindo no choro.
O meu medo dessa vez envolve o futuro, misturado com saudade do passado. Mas medo por, e saudade de, uma pessoa em especial. Uma pessoa que fez parte da minha vida e que continua fazendo, mesmo que de forma diferente. Uma pessoa que eu amo irrevogavelmente, que me faz rir, que me faz chorar. Tenho um medo absurdo de perdê-la, e tenho uma saudade imensa de tê-la de volta. Tê-la de volta do mesmo jeitinho que eu lembro quando era criança.
Era maravilhoso chegar em casa para almoçar, depois da escola, e ser recebida na porta com um sorriso no rosto e braços abertos. Assistir ao TVZ e ouvir ela reclamar que aquele programa não é nada interessante. Pedir para fazer lição no quarto dela, porque só aquele quarto tinha algo de especial. Era o quarto da minha vó, simplesmente. Ah, eu também amava passar o natal do lado dela. Lembro que ela acordava cedo, para ir à casa da minha tia ajudar com os preparativos. Eu achava aquilo um máximo! Tenho saudade dessa época. A época em que ela sabia que era natal. A época em que eu saboreava aquela comida que só ela sabia fazer. A época em que ela dizia de boca cheia "Eu moro sozinha e não preciso de ninguém". Mulher guerreira. Uma das mulheres que mais admiro e vou admirar para sempre, mesmo com todas as recaídas, mesmo com todas as implicações que aquela maldita doença nos trouxe.
Medo? Ele existe. Mas vou tentar driblá-lo, e sempre que ele aparecer vou descer até o andar debaixo e abraçar a pessoa mais pura que já conheci.
Nossa vó, como eu te amo.

3 comentários:

Camila disse...

Saudade. Saudade daquele tempo. Até das ameças com o chinelo e do "Parem de pular na cama". Até dos "coisa feio" e do "parecem eu e a guida". Felicidade por ter tudo aquilo guardadinho na mente.

Manoel Fernandes Neto disse...

Meninas, Meninas...sim saudades; as minhas muito mais antigas, em conexões com as novas; das histórias contadas ao pé da maquina de costura de uma dedicada dona Nega alinhavando criações; do arroz cozido com batatas que só ela sabia fazer; dos truques usados para que comêssemos: "minguau de fubá que faz voar". Voávamos: Monka, Miriam, Tata, protegidos dos problemas que ela enfrentava com determinação; do oficial de justiça no portão, da falta de recurso em um tempo muito, mas muito mais dificil; da sogra, bisavó de vocês, que ela cuidou até o momento da partida, sob ofensas e injurias de uma mente doentia. Guerreira, sim, vocês lembraram, ela manteve a fibra, sem nunca perder a ternura, para nos deixar exemplo de sua envergadura moral, vocês, netas, nos mostram isso. Dever cumprido sim, meninas. As trombetas tocarão, uma tapete de alegria será estendido. E saberemos da sua existência para sempre.

Unknown disse...

Querida Carol adorei e até chorei pois sou muito emotiva como toda boa piciana,linda a sua mensagem em homenagem a sua avó com o tema.
Medo?Ele existe.Sou amiga da sua mãe,uma amiga recente mas já me considero amiga parabens por guarda no coraçao tanto amor isso sim é a grande e melhor coisa da vida bjs linda.